Ocupação Cultural Mercado Sul Vive - Taguatinga (DF)

A Eco Feira é um evento mensal produzido pelo coletivo da Ocupação Mercado Sul. Nesta 37ª edição da feira também foi comemorado o 2º aniversário da ocupação:

"No dia 07 de fevereiro de 2015, nós do movimento cultural, trabalhador@s e moradores do Beco iniciamos nosso processo de retomada da cidade. A cidade que construimos, no beco onde existimos e criamos noss@s filh@s, nossas lutas, nossas artes. Reivindicamos as lojas abandonadas, ruínas ociosas que vêm ao longo de mais de 10 anos afetando a segurança e a saúde fisica, social, ambiental e cultural do Mercado Sul. Por acreditar que o direito de viver não deve estar submetido aos interesses da especulação imobiliária, que prefere os espaços fechados, decidimos ocupá-los e reabri-los com o proposito de recuperar mais um cantinho da cidade para a vida e convívio saudável e coletivo. Em nossa trajetória, tecida por muitas mãos e em processo de construção contínua, aprendemos que a cidade deve estar de acordo com a força coletiva que a construiu e segue construindo, que deve servir ao bem comum, ser inclusiva e participativa. A isso concordamos em chamar de Direito à Cidade e assim o reivindicamos como tantos outros grupos e tantas outras comunidades organizadas mundo afora. O Estatuto da Cidade entende que a área ou construção urbana que não cumpre sua função social deve ser reordenada ao coletivo, ao bem comum da cidade. Afinal, a quem deve servir os bairros e a própria cidade? Assim, não podemos deixar de concluir que a situação que hoje vivenciamos viola nossos direitos e que devemos nos manter firmes em sua defesa.
Nosso intuito é preservar esse lugar histórico de Taguatinga (e do DF) tanto em sua dimensão arquitetônica, quanto na escala humana, com as vidas vividas aqui e a cultura que aflora há décadas desse lugar. Aqui se constroem violas, vídeos, mamulengos, artesanatos e instrumentos com papelão e saco de cimento. Aqui, o beco vira palco, roda de capoeira, escola, eco-feira, vira comunidade, santuário, espaço de produção e aprendizagem. Daqui surgiram inúmeras iniciativas culturais e coletivas…. Com esse movimento, pretendemos dignificar a morada e o trabalho d@s que aqui residem, fortalecer as ações que já são realizadas, expandi-las e enraiza-las, assim como servir de meio e apoio para novas ações e iniciativas criando um centro de difusão e criação cultural de Taguatinga. Convidamos a tod@s que querem partilhar conosco dessa luta para apoiarem esse movimento presencial e virtualmente, Venha fazer história! todo dia é dia de festa, trabalho, e pão!"

Mais sobre a ocupação em https://www.facebook.com/mercadosulvive/


Foto por Webert da Cruz
Foto por Webert da Cruz
Foto por Luiz Ferreira

Foto por Luiz Ferreira

Foto por Luiz Ferreira
Foto por Emol




Publicado em 15/02/2017

Mutirão Mercado Sul Vive - Taguatinga (DF)

Pintura durante o mutirão para o 2º aniversário da Ocupação Cultural Mercado Sul Vive, em Taguatinga, cidade satélite de Brasília (DF).



Publicado em 15/02/2017


Jornal Voz das Comunidades

O jornal de circulação nacional Voz das Comunidades, em sua edição de n° 28, publicou foto e relato de minha experiência no Cumbe, em Aracati (CE). Abaixo segue a imagem com a matéria e em seguida o texto para melhor leitura:
 

Um lugar lindo com rio e mar, mangue e dunas, que até sítio arqueológico tem. Assim eu apresento rapidamente o Cumbe, onde estive por algumas vezes entre dezembro e fevereiro de 2015/16.Chego por lá num momento de festa, a II Festa do Mangue. Festejo onde se percorre o território para entender as práticas tradicionais, e assim afirmar a identidade desta comunidade reconhecida como quilombola. Aliás, Cumbe em alguns países latino americanos significa quilombo e este, por sua vez, sempre esteve associado à luta e resistência.

Aracati é nome de vento, aquele que sobe contra o curso natural das águas do Jaguaribe, soprando forte pelo sertão adentro do Ceará, levando frescor de mar, mexendo com o real e imaginário de quem à margem do rio está. Aracati também é o nome do munícipio de onde parte a Estrada da Canavieira, que nas visitas seguintes me levou ao Cumbe após 10 km de pedaladas em estrada carroçal, por entre criadouros de camarãovigiados dia e noite como ouro de tolo. É a carcinicultura, técnica de criação de camarões em viveiros, que destrói o manguezal com toda sua biodiversidade e funções ecológicas, criando ameaças ambientais, culturais e socioeconômicas à comunidade tradicional. Esta mesma indústria do camarão também ameaça contaminar os lençóis freáticos da região, que de tão abundantes em água doce, pude presenciar um poço artesiano cavado na praia a poucos metros do mar.

É pra chegar nesta praia, que por toda a parte se avista também os monumentais cata-ventos. Bonitos e simbólicos, que pela forma poderiam ser arte, se o conteúdo não favorecesse aos covardes. A empresa de energia eólica, sob o disfarce de Bons Ventos, privatiza as dunas bloqueando caminhos e territórios tradicionais da população local, gerando energia que amplia contas bancárias já estufadas ao longo da história mal contada do Brasil. Não cumpre as promessas de melhorias sociais na região, feitas aos moradores após tantos transtornos no cotidiano destes,nem os contempla com a tal energia gerada, mesmo com torres e fios de alta tensão passando sobre suas moradias.

Eu que acho cata-vento bonito, mas horrível a covardia dos opulentos, me admirei mesmo foi com os artesanais, estes feitos das carnaúbas que estão por toda parte e que também encantam pela forma com que trazem água do rico subsolo para dar de beber as pessoas, animais e plantas. É com um destes dentro do quintal que se água uma grande horta na casa do João, o João do Cumbe, onde ao caminhar pela tão variada plantação de legumes e verduras, chega-se aos fundos do quintal com a duna se apropriando do terreno. Sobre ela se avista outras mais, com a areia sempre correndo baixo de um vento que sopra constantemente, expondo uns e cobrindo outros locais onde se preservaram evidências de atividades do passado histórico. São fragmentos de cerâmicas e pedras utilizadas como ferramentas pelos antepassados que viveram ali, fazendo deste lugar um sítio arqueológico.

Isto que eu conto aqui é uma tomada de conhecimento que se dá principalmente através da vivência na comunidade, já que sentir vai além de saber. Acompanhando a cata do caranguejo ou a pesca de arrasto no mar com Ronaldo, Reginaldo e outros pescadores, subindo e descendo rio com Carlinhos e Cristiano, caminhando pelas dunas com João, pedalando com Tiana e Victor, proseando com Dandina e as Donas Zuíla e Raimunda, uma visita e outra vizinha da Maré, é que se aprende mais sobre o Cumbe. Assim sentimos a intensidade do nosso povo, com suas belezas e a urgência da luta contra os intrusos do mangue e das dunas.

A Maré que cito aqui é das Artes. Casa Maré das Artes, sempre cheia de crianças, é o espaço cultural independente mantido por Titi, Mari e Ton, que somam nesta resistência com os moradores e que no Cumbe me permitiu uma breve residência. A ponte que me proporcionou conhecer outros visitantes, conviver com os nativos e a partir disso elaborar uma pintura realizada no muro em demolição onde se prepara terreno para erguer o Museu Arqueológico. Nesta intervenção efêmera está o caranguejo, símbolo do mangue, com o ideograma africano Akoben pairando sobre sua cabeça (Akoben: chifre da guerra, simboliza a vigilância) que alguns moradores locais nomearam a pintura como “o caranguejo guerreiro pronto pra guerra”.

Que Palmares e Ambrósio, como símbolos quilombolas históricos,também pairem sobre nossas cabeças fortalecendo a resistência atual.

Emol

Abril/2016




Postagem em 12/01/2017

Curió, Fortaleza (CE) - 2016

Curió é cobiçado como pássaro de gaiola, referência simbólica para qualquer bairro “periférico” como este de Fortaleza, cenário da maior chacina do Ceará. Onze velas acendidas pelo braço armado do Estado; a polícia militarizada.





Publicado em 31/12/2016

Em estúdio...

Detalhe de pintura sobre papel produzida em residência artística na Casa do Jardineiro Louco, em Fortaleza (CE) em setembro/outubro de 2016.


Publicado em 31/10/2016

A cultura do graffiti como escrita de rua - Curso em Fortaleza (CE) - 2016

Pelo terceiro ano consecutivo ministro um dos módulos do Percurso em Arte Urbana, curso realizado pela Escola Porto Iracema das Artes, em Fortaleza - CE. Novamente o conteúdo apresenta a história do graffiti contemporâneo como forma de escrita na rua e seu diálogo com outras formas de intervenção sobre suportes variados no meio urbano. 

Fotos por Danielle Sousa e Joyce S. Vidal





Postado em 07/10/2016

Programa Conexões Periféricas - Fortaleza CE

Participação no Conexões Periféricas, programa realizado pelos jovens comunicadores do CUCA Barra (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) na cidade de Fortaleza e apresentado na TVC (TV Ceará) em 02 de Julho de 2016. O 5º programa desta segunda temporada teve por tema a cultura Hip Hop, onde participei no bloco Papo Selfie, falando um pouco de minha trajetória e respondendo a perguntas enviadas por e-mail.


Publicado em 02/09/2016

Mutirão de Graffiti - Santa Maria (DF)

Mutirão de graffiti na Biblioteca Monteiro Lobato em Santa Maria (DF). Salve Curujito, Thamiris e Neros.






Postado em 22/08/2016

Cumbe, Aracati (CE) - 2016

Cumbe, palavra de origem africana que em alguns países latino americanos significa quilombo.
Atualmente os empreendimentos da carcinicultura (técnica de criação de camarões em viveiros) intensificam a ameaça ao modo de vida da comunidade tradicional no Cumbe. Criam conflitos entre os próprios moradores, poluem as águas e desmatam o mangue, constituindo uma ameaça ambiental, cultural e socioeconômica na região.
Na intervenção que fiz em um dos muros da comunidade está o caranguejo, símbolo do mangue, com o ideograma Akoben pairando sobre sua cabeça (Akoben: chifre da guerra, simboliza a vigilância). Alguns moradores locais nomearam a pintura como “o caranguejo guerreiro pronto pra guerra”.
Gratidão à Maré das Artes, espaço cultural independente que permitiu esta residência artística e soma na resistência local.


Postado em 06/04/2016

Sound System Graffiti - São Paulo SP

Há quase uma década, a partir da convivência e reflexões sobre o desenrolar do Hip Hop naquele momento em Diadema e zona sul de São Paulo, DJ Erry G e eu trocávamos algumas ideias que resultaram num projeto que até então ficara apenas como arquivo digital. Neste 2015/16, o mesmo Erry G e uma equipe de produtor@s, através do Instituto Cultural Dandara toca adiante o projeto transformando-o em realidade.  

"O Sound System Graffiti - Musicalmente Pintando a Quebrada surge da aproximação de dois elementos do Hip Hop - o DJ e o Graffiti - e sua proposta é colorir a quebrada! O graffiti usará como tela as casas e vielas das comunidades por onde passar, deixando estampado suas obras, cores, traços e imagens. Embalado pela trilha sonora, os DJs comandarão o sistema de som convidando os outros elementos da cultura Hip Hop para juntos celebrar as origens da cultura de rua nas comunidades."



Fotos por Thiago Fernandes e Marcos Yamada
 


Publicado em 27/03/2016