Semana do Graffiti de Fortaleza - CE

Realizado pela Coordenadoria da Juventude da capital cearense, aconteceu de 8 a 13 de Abril a Semana do Graffiti de Fortaleza com curadoria de Narcélio Grud, responsável pelo convite pra minha participação junto a Arem, de Recife, como artistas interestaduais.
A boa e repleta programação do evento teve início na segunda-feira com um coquetel de abertura e uma mesa de apresentação do evento, com falas dos organizadores e nós convidados expondo parte do nosso fazer e pensar artístico. No decorrer da semana realizamos também oficinas abertas de iniciação ao Stencil Art, pinturas ao vivo e mural coletivo. Como encerramento aconteceu no sábado, um mutirão de graffiti.
Satisfação em conhecer e rever amigos, agradecimento aos responsáveis pela ótima produção do evento e votos de vida longa ao projeto.

Oficina no bairro Ellery
Pintura ao vivo na Praça do Ferreira
Pintura coletiva no CUCA São Cristóvão junto a Arem


* Postado em 30/04/2013

Antologia e Coletânea Perifatividade 2

Tem atividade na periferia e perifa na atividade. A margem na qualidade de ativa; Perifatividade, viva! Multiplicidade de trabalhos e ideias de nossa gente. Prontidão. Elementos que formam multidão.Na contra mão dos comerciais, a cultura que vem dos conjuntos habitacionais. Das vielas, ladeiras e escadarias, fazendo o que nenhum PC Farias. Trazendo o livro como alimento pra um povo empanturrado de massa.
Antologia volume 2 é a refeição da vez. Saudável. Preparada lá no fundo. No fundo não, no Fundão (do Ipiranga e do coração). Nesta periferia também com bares aos milhares, há um sereno que tem mais que remédio e veneno. No Bar do Boné tem literatura como principal porção. Porção que sustenta a evolução da mente humana que profana contra os deuses da ignorância. Sustância.
No Bar do Boné a Perifatividade é Sarau. "Social, político, racional, racial". É organização. É ousar propor contra a dor da injustiça que fere a cada pedido de paz que não admitimos. Pois somos de guerra e agora atiramos também com prosas e poesias. Afinal, “en la lucha de clases todas las armas son buenas; piedras, noches, poemas”.


Abaixo segue flyer, imagens do livro por Thomas Losada e meu poema publicado


Doce Infância


O tempo 
Tinha cheiro de brinquedo novo

Descoberto a cada dia
Como figurinha em envelope
Apenas preenchia a vida
E a alegria
Reluzia como pão doce

Sem força pra carregar 
Peso na consciência
Nem polícia pra prender
Ladrões de sorrisos
Disparando gritos de inocência
A meninice era tudo que quisesse
Maradona se três dentro fosse
Tafarel se três fora desse

Era compositor de gererê
Piloto de capucheta
No chão o palavrão
Escrito com vareta

O balão era mágico
E os sonhos
Como bolas de sabão
Bailavam no ar

Namoro era fácil
No meu olhar
Sem ela sequer saber
E sem beijo
Porque gostoso mesmo
Era doce de leite com queijo




* Postado em 15/03/2013

Pão e Tinta - Recife - PE

Disseram que teria Pão e Tinta no Recife. A notícia correu mundo. Vespas* migraram do sul. Galo* não cantou, mas por lá pintou. Larvas* se desenvolveram. Até Sponja* criou vida e apareceu entre tantas outras espécies no local. Um Arem* se formou e 100Parar* chegou gente. Gente faminta por trigo e pigmento.
Foi após o carnaval que aconteceu. Depois da festa da carne, teve a festa a Pão e Tinta.
Foi lá no Pina. Eu também fui pra lá. Não que me faltasse o pão. E embora carecesse de tinta, não foi esse o motivo também. Fui pro Pina por fome de viver lugar, conviver pessoas. Fome de vomitar subjetividade e achar que isso alimenta alguém. Tem gosto pra tudo.
Fui pro Pina porque é nóis. Já foi dos nossos, dos filhos daqui. Já foi de europeu invasor. Já foi de senhor de engenho. Mas hoje é nóis. É o povo. Povo que teima. Teima em ser alegre. Teima com a gentrificação, teima com os incêndios. Teima tanto que até com o mar teimou, só pra teimar mais longe ainda com os parasitas da capital. Se derrubar de dia, a teimosia constrói de noite. E embora quisessem lhe fantasiar de Formosa, ela teimou e se fez, ironicamente, Brasília Teimosa.
No dia do acontecido, o tal Pão e Tinta, o sol tava igual a especulação imobiliária. Não nos queria por ali. Empurrava-nos para as sombras. Mas no espírito do lugar teimei, finquei com cores meu barraco. E o muro era uma favela só. Uma maloca querida “dim dim donde nóis passemo (um) dia feliz de nossa vida”.
Agora vou contar um segredo. Só um. Foi no meio da tarde que notei. No pão também tinha mortadela. Constatado o luxo. Pão, mortadela e tinta. Pra que mais? Porque mais?
Ahhhh lelek lek lek, porque nóis é teimoso! Então ia aparecendo coisinhas mais. Mas aí eu já não conto o que. Não conto porque algumas geram BO, outras, ciúmes. Algumas porque não sou dedo duro. Outras porque não valem a pena mesmo. E tem mais. Não conto porque gera curiosidade. E curiosidade faz quem não foi, se mexer pra ir no próximo.



*Nomes de alguns grafiteiros e crews participantes do evento
**Texto baseado em relatos de moradores locais e informações tiradas da internet sobre a historia do bairro Pina e sua vila Brasilia Teimosa. 

Postado em 02/03/2013

Máfia de Verão - Recife - PE

Organizado pela Flores Crew em parceria com a Mangue Crew, a ideia deste projeto é realizar eventos mensais em distintos bairros da capital pernambucana, envolvendo graffiti e outras linguagens artísticas, como uma espécie de prévias para o 2º Florescendo Ideias que acontecerá em setembro deste ano. Nesta edição de janeiro o bairro sede do evento foi o Totó sob recepção de Carbonel, morador e agente cultural local que agita a quebrada. Segue algumas imagens do que rolou por lá e de mais um role do A Força da Palavra:



* Postado em 21/02/2013

De volta ao Role Brasil

“Nós viajamos para abrirmos nossos corações e olhos e para aprendermos mais sobre o mundo do que aquilo que nos é noticiado pelos nossos jornais. (...) Para mim, a primeira grande alegria de viajar é simplesmente o luxo de deixar em casa todas as minhas crenças e certezas, e enxergar tudo aquilo que eu pensei que eu soubesse sob uma luz diferente, e de um ângulo tortuoso.” 
Pico Iyer 

De volta ao Role Brasil. Ver o novo e de novo o já visto, mas com novo olhar. Lugares e pessoas, pessoas e lugares; um leva a outro e ambos mostram direções. Indicam caminhos.
Longa viagem de carona a bordo de um gigante da estrada. O maior permitido pelas leis rodoviárias; 30 metros de comprimento e quase 70 toneladas sobre 9 eixos. O grande bicho de metal chamado de Bitrenzão pode ser tartaruga na subida e avalanche na descida. Se deixar arrasta (quase) tudo. Mas também tomba. Comprova-se pelos exemplos de seus semelhantes deitados no caminho. Uns mais, outros menos prejudicados e prejudiciais.
Neste transporte residência, a janela em movimento dá visão ampla das beiras. E quanta beira se vê durante as mais de 77 horas entre a “capital da fumaça” e Salgueiro, interior pernambucano. Beira de rios e de vegetações que se transformam ao decorrer dos quilômetros. Beira de cidades. Beira de vidas a beira de estradas. E o pensamento beira a tudo, menos respostas. Bom é que são as perguntas que movimentam o indivíduo e, logo, a humanidade.

Vavá e seu bitrenzão




*Postado em 08/02/2013

POVO - Pessoas Organizadas Vencem Opressão

Paralelo a produção artística, as ações de produção cultural também aconteceram neste ano que findou recentemente. Novamente juntando pessoas pra fazer acontecer ações no estilo nós por nós, foi imensa a satisfação de participar das realizações POVO em 2012; mais duas edições do Cine Ideia e o Literatura Hip Hopiana #3.
Agradecimentos em especial a quem somou na produção; Felipe Tenório, Natália Nate, Renato de Sousa, Fernando Pipoco e Thiago Fanta, sem os quais não teria acontecido do jeito que foi; ao Sarau do Burro pelo espaço e aos agentes culturais que possibilitam ocupar do nosso jeito os espaços que já nos cabem por direito; Jefferson Santos e Djalma, da Biblioteca da Pinacoteca de São Bernardo e Casa do Hip Hop Diadema, respectivamente.

para saber mais sobre os projetos visite



* Postado em 17/01/2013

MOF; Meeting Of Favela - Caxias - RJ

Último domingo de novembro aconteceu no Rio de Janeiro, mais precisamente na Vila Operária em Duque de Caxias, o 7º MOF; Meeting Of Favela, considerado por muitos o maior evento de graffiti voluntário da América Latina. O evento organizado pela Posse 471, é encontro, é mutirão, não "seleciona" e consequentemente não exclui.  Quem quer, chega, se enturma, arruma seu espaço e com suas tintas pinta, interage com a comunidade e com os participantes. Eu diria, assim como o fazem seus organizadores, que quem faz o MOF somos nós, aqueles que se movimentam por conta própria pra fazer acontecer esta reunião que só quem participa entende. Oportunidade ótima pra rever amigos e conhecer novos, que estão pintando há muito e há pouco tempo Brasil e América do Sul a fora, já que o evento ganhou proporções internacionais.
Já na sexta pela manhã se encontra vários parceiros de atividade chegando pela rodoviária. Seja na noite boemia diversa da Lapa ou na "maloquerage" nossa de cada dia no baile funk do morro "o bonde do graffiti vai se formando" e ganhando o nome de Pré-MOF, que no sábado é atestado pelas pinturas em muros muito extensos ou intervenções soltas pela parte de baixo  da comunidade.
Domingo é o dia oficial, mas pra quem chegou antes acaba sendo apenas a continuação, somando-se a batalha de MCs, Bboys e Bgirls, Selectas e DJs (Hip Hop, porra!) até o fim do dia. Hora de despedida pra uns. Outros ainda fazem acontecer o Pós-MOF nos dias seguintes, mas aí já são outras histórias e, como dizem os parceiros de Salvador; "são várias queixas".

Teaser de promoção do evento
Alguns dos Pré MOF 
Foto por Hugo Inglez no Pré MOF
Role MOF - Vila Operária
Role A Força da Palavra - Pós MOF - Duque de Caxias

* Postado em 05/11/2013

Rolê em Diadema - SP

Feriadão de 15 a 20 de novembro produtivo. Entre práticas e teorias, novas leituras, pinturas em estúdio e um rolê do projeto A Força da Palavra nas ruas de Diadema:

"Não imaginamos que palavras tão comuns (...) possuem uma vasta história. E não se trata apenas da etimologia, da origem dos nomes, mas da função simbólica, do que está guardado nas palavras como sentido que vai além delas e mostra o mundo humano dos afetos, sentimentos, desejos, projetos"
Marcia Tiburi



* Postado em 21/11/2012

Ocupação Graffiti - Mauá - SP

Ocupação Graffiti é um projeto realizado pelo coletivo Comunidade Viva que consiste em criar um festival de artes com foco no graffiti, criando galerias a céu aberto. O evento mensal acontece em diversas regiões da cidade de Mauá, no Abc Paulista, e nesta edição aconteceu no muro da escola Zaira 8. Além das atrações contidas no flyer digital abaixo, rolou também distribuição de pipas pra molecada da comunidade e uma confraternização pra quem curte "estender a conversa" pós pinturas juntamente com avaliação do projeto. Abaixo segue algumas imagens que registrei por lá:

caricatura feita no evento por Sonyc






*Postado em 17/11/2012

Workshop de Graffiti em São Roque - SP

No ultimo dia 10 de novembro realizei um workshop de graffiti no hotel Villa Rossa, na cidade de São Roque, interior paulista. A atividade foi aberta para as crianças que circulavam por lá no dia e tratou de mostrar o processo de construção de letras em esboços no papel e pintura na parede, proporcionando o primeiro contato com tinta spray para a maioria dos participantes. Segue algumas imagens:

Fotos por Vanessa Soares



* Postado em 13/11/2012