REN - Viana - Espírito Santo












“A meu ver a arte serve, tanto interiormente quanto externamente; internamente ela ajuda eu encontrar-me espiritualmente, dando equilíbrio e satisfazendo meu impulso pela criação. Externamente ela interfere no meio em que vivemos, causando reações adversas nos seres que a reconhecem e observam como tal, mas para cada pessoa ela age de um jeito diferente ou de forma misteriosa e eu aceito esta parte misteriosa, é mais como poesia, não precisa ser explicada, mas sentida e absorvida a essência."







A seguir Ren, que é envolvido com Graffiti e Rap, descreve um pouco sobre sua história, contextualizando a maneira com que a arte apareceu e se desenvolveu em sua vida.  

“Sou natural da cidade de São Paulo – SP (1984), filho de pais capixabas que foram pra São Paulo em busca de trabalho e uma vida melhor. Morávamos na Zona Leste, COHAB I – Itaquera, aos 13 anos comecei a andar de Skate, dar uns roles de trem por São Paulo e conhecer a cultura de rua, o skate foi o começo de tudo, ele que me direcionou ao meu mundo atual que é fazer graffiti e ser MC também. Depois de 30 anos morando em São Paulo, meus pais resolveram retornar para o Espírito Santo, e viemos nos estabelecer na cidade de Viana, quando saímos de lá eu tinha 16 anos de idade.
Moro no Bairro Industrial, município de Viana, que pertence a região metropolitana chamada Grande Vitória. Minha cidade fica afastada do centro, além dos bairros tem também zona rural. A povoação de Viana se deu por conta de famílias trazidas da Ilha de Açores – Portugal, para povoar a região e evitar a chegada de invasores e desenvolver a região, também foi povoada por negros, que na época eram escravos, inclusive em Viana existem comunidades de quilombos remanescentes.
Um ponto positivo é que por se tratar de periferia e saber que o crime também esta instalado por aqui, não é um bairro violento, outro ponto é que ainda temos um pouco de contato com a natureza, mínimo mais ainda temos, tipo como arvores frutíferas, pássaros e tal.
O contato inicial com o graffiti foi através de amigos na época que comecei a andar de skate em São Paulo. Um tempo depois eu me mudei para o Espírito Santo, aqui conheci mais uma rapaziada do skate, e depois uns caras do rap, entre esses caras estavam o Japão (André) e o finado Dj Malcon (Marcelo). Nos reunimos e trocamos idéia, ficou decidido de eu fazer o desenho no papel antes e na hora nós três pintaríamos a letra, Malcon me emprestou uma revista como referência e eu fui pra casa empolgado pra desenhar, com o desenho pronto, fizemos o rateio da tinta e fizemos em conjunto o primeiro trampo.
O meu desenvolvimento no graffiti começou de forma intuitiva e autodidata, primeiramente sem contato com outras formas de artes, aquilo que eu conhecia era o que via pela rua afora, vivendo. Outro fato relevante no desenvolvimento foi quando conheci os escritores da cena local, que já faziam há mais tempo e tinham mais as manhas, foram eles: Fredone Fone, Alecs Power e Samuka. Próxima etapa a ser lembrada são as viagens que fiz, muitas coisas pra absorver e acrescentar na minha arte e na minha vida.
O graffiti cresceu demais em minha vida e eu vi que tinha também que expandir as fontes de estudos e influências que não fossem somente de outros artistas do graffiti, então comecei a ir à exposições de arte, palestras e bate-papos, isso me ajudou a perceber que qualquer forma de arte pode somar na construção de um trabalho, nessa mesma visão eu também busquei coisas que tinham a ver comigo e me atraiam, como filosofia hindu e espiritual, arte africana, chinesa, indiana, entre outras.
Meu estudo se dá de forma mais natural, a partir de experiências, vivências, observações e testes. Meu trabalho tem aspirações espirituais, mas não representam uma idéia, opinião ou conceito direto e explicativo. Faço alguns personagens inspirados em mascaras e formas geométricas, apresentados as vezes em estado contemplativo, utilizo cores que disputam a atenção no ambiente externo da rua, assim como placas de transito, por isso uso preto, branco, vermelho, amarelo, laranja e as vezes tons de terra. Também me utilizo de alguns símbolos e signos, como (+), (-) e o símbolo de stand by de aparelhos eletrônicos.
(...) faço por que posso pensar conceitos, formas e idéias diferentes e também como uma outra possibilidade de comunicação para que a arte aconteça, extraindo assim de dentro do meu ser e colocando pra fora criações que primeiramente satisfaçam-me como co-criador da própria realidade, fazendo com que eu evolua em vários sentidos e possa compartilhar com todos essas criações.
Costumo pintar letras throw ups também, gosto de escrever por ser a base da minha história e do meu trabalho, também gosto de escrever pelo impacto que tras para o meio em que vivemos, tanto como resistência e afirmação. 
Depois de muitas discussões e conversas sobre o que é graffiti, penso que isso é escrever ou fazer uma pintura na rua, de forma ilegal ou sem autorização, levando em consideração mais a ação do que a estética. Simples assim.”






Ren faz parte das crews Luz Do Mundo e Os Imunes, tendo esta última a seguinte definição: “Os imunes, porque a idéia é sermos imunes aos vírus dos inimigos no poder, imunes as regras impostas, imunes as mentiras propagadas, e por ai vai. Com foco na resistência e defesa da livre manifestação popular em prol da mudança e evolução universal.” Os integrantes são os mesmos em ambas; Fone, Alecs Power, Canela e Japão.
Alecs + Fone + Ren
REN
recomenda
Sergio Sampaio, Suspeitos na Mira, Mc Adikto, Negritude Ativa, Ester Mazi, Lion Jump, Sol na Garganta do Futuro e Moxuara são as recomendações musicais que Ren acredita representar bem o estado do Espírito Santo. Sugere ainda os seguintes links para ouvirmos:






*Imagens enviadas por Ren
*Texto por Emol

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