BAGA - Salvador - Bahia






“O bom da minha época é que quando um jovem conhecia o Rap, o que vinha pra ele era o Rap como nossa arma informativa, que os livros eram importantes. Daí eu vi um novo mundo, comecei a ler mais sobre a África, sobre os lideres revolucionários e não parei mais. Então eu posso dizer que o Rap me deu toda base que tenho hoje como MC, como grafiteiro e como cidadão”.



Hilton Pereira é oriundo de pai e mãe que se conheceram ainda na infância em Rio Fundo, interior baiano, cresceram, se casaram e migraram para Salvador, onde ele nasceu em 1985. Ganhou o apelido de Baga, que inicialmente não o agradava, mas posteriormente assumiu como nome artístico para assinar seus trabalhos de graffiti e rap, devido seus amigos sempre o chamarem e o apresentarem como tal.
Vive em São Caetano, bairro que considera como qualquer outro de periferia, “muita gente, violência, comércio, tráfico. De tudo um pouco, mas sem incentivo na educação, na arte e em outros segmentos de introdução ao meio social”.
Seu primeiro contato com graffiti foi na escola em 2001, quando um amigo levou uma revista do gênero e a partir dali determinou que em breve estaria fazendo aquilo também. Já fazia alguns esboços no papel quando conheceu Zunbi e Dpaz que já faziam graffiti há mais tempo e o apoiaram dando algumas dicas. Em seguida, frequentou oficinas de Lee 27, começou a praticar nas ruas e segue desenvolvendo seu trabalho principalmente pintando letras, embora também pinte alguns personagens. É integrante fundador da TRC; Traços de Rua Crew, juntamente com Drico e aos quais somaram-se Questão, Roque e Rbk, ambos de Salvador e a potiguar Doce.
Fez parte do estadualmente conhecido projeto Salvador Grafita, no qual fez grandes amizades e considera uma grande escola, embora com mais pontos negativos do que positivos:
“pena que nos dois últimos anos do projeto teve uma queda de organização, funcionalidade e recursos financeiros. Na verdade o projeto era pura farsa, pois passava muitas mentiras para o publico das ruas. Eles não ligavam pro graffiti, só queriam acabar com a pichação, coisa que jamais vai acontecer. Como no projeto não tínhamos união entre os grafiteiros, a nossa voz ficava dividida e sem força”.

Após presenciar Spock, um MC residente do mesmo bairro, fazendo Free Style (rimas de improviso) começou também a fazer Beat Box e assim era chamado por vários outros Mcs para fazer a “batida” nas quais eles improvisavam nas rodas de rimas. Isto trouxe aprendizado sobre a linguagem e logo Baga começou também a rimar em meados de 2002. Em 2005 entra para o coletivo SCP, Sentimento Coletivo entre Pensadores, somando-se no mesmo a Praga, Spock, Betinho e Kruma. Além deste grupo, desenvolve seu trabalho solo como Baga Mc, crendo que a missão desta linguagem é transportar boas informações a quem não têm acesso as mesmas.
Hoje, acreditando que se deve buscar mais que dinheiro com sua produção de arte e que esta deve estar nas comunidades carentes de infraestruturas básicas, Baga busca referencias para além do graffiti e prefere pintar em bairros periféricos como o seu, renegando a busca inicial pela fama e divulgação de seu trabalho para levar arte à população não favorecida por este sistema de produção em que vivemos. É também em locais nestas condições que atua como produtor de eventos socioculturais ligados ao Hip Hop.


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Graffiti é Rua por Baga MC


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Recomenda
Filme Besouro de João Daniel Tikhomiroff


Mais imagens com trabalhos de Baga

* Fotos e indicações enviadas por Baga e texto organizado por Emol a partir de entrevista realizada.

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