Upper Playground - Entrevista

Na última terça-feira foi publicada no espaço The Citrus Report do site Upper Playground uma entrevista comigo.
Clicar Aqui para conferir o conteúdo com as imagens no site ou leia o original abaixo na versão em português;


Voce sempre usou cores tao vibrantes?
Cores vibrantes sempre atraíram minha atenção, mas foi através de um processo com muitas experiências que cheguei a pintura atual.

O seu trabalho parece um hiroglifo moderno. Voce sente como se estivesse comunicando em uma lingua diferente atraves da sua arte?

Eu considero meu trabalho uma espécie de antena e raiz, capta o que é atual, mas tem forte ligação com o passado, com a ancestralidade.
Isto é algo que valorizo muito.

Como que o seu trabalho tem desenvolvido na sua mente? Eu percebi que alguns anos atras você estava fazendo trabahos que pareciam Throw Ups, mais do que as formas limpas que voce parece estar envolvido nesses dias...
Meu trabalho se desenvolve em diferentes linguagens porque só a pintura não me satisfaz.
Eu ainda faço Throw Up porque gosto de escrever na rua. Atualmente não escrevo meu nome. Eu escrevo palavras que levem para as pessoas uma mensagem mais útil do que apenas dizer que “Eu Existo”. Busco algo com mais conceito e que seja facilmente compreendido pelas pessoas.
Isto é um entre outros projetos artísticos que desenvolvo além da minha pintura.

Você tem algum novo projeto em andamento?
Tenho vários projetos em estudo ou em andamento, mas minha mãe sempre diz: "não conte seus planos antes que eles aconteçam, faça primeiro e depois fale". Eu costumo seguir este conselho dela (risos).


Você prefere rua ou galeria? por que?
Eu gosto da rua porque eu exploro ambientes e ela oferece mais possibilidades. A rua deixa a arte mais acessível para todo o público.
Mas a galeria também é um ambiente para ser explorado.Eu gosto de ter minha arte em todos os espaços.
Eu sou facinado pelo Brasil, sua densidade, historia e cultura. Como que voce sente que o seu pais tem influenciado seu trabalho?Pela minha própria história neste universo. Eu gosto muito de futebol e meu primeiro contato com pintura foi produzindo bandeiras para o time que eu gosto. Eu gosto muito de samba e trabalhei em barracões de escolas de samba onde aprendi a trabalhar com outros materiais. As cores deste país tropical talvez influenciem também meu trabalho de arte.
O Brasil é um país de distintas culturas. Cada estado brasileiro parece um país diferente. Por isso, desde novembro de 2009, estou viajando na direção nordeste deste país para conhecer mais sobre as culturas locais. Atualmente estou em Salvador, no estado da Bahia (estado brasileiro com maior influência africana).
Sou muito ligado a cultura popular, às manifestações do povo. Gosto de ser mais uma pessoa sorrindo no meio da multidão porque sorrir é necessário para viver bem. Mas tenho a consciência de que o Brasil é extremamente racista, um país em guerra civil não declarada, analfabetismo, alienação e a maioria das pessoas não sabe disso. Isto também me influencia a desenvolver atividades paralelas a minha produção artística; sou Produtor Cultural e um dos coordenadores de uma organização chamada POVO (nome com duplo sentido; ao mesmo tempo que designa conjunto de pessoas também é a sigla para Pessoas Organizadas Vencem Opressão)
http://www.povo-povo.blogspot.com/

Se voce pudesse viajar para uma lugar nesse mundo aonde seria e por que?
Vários locais. Eu daria uma volta ao mundo para conhecer as cidades, povos e culturas, porque em todo o mundo há algo interessante para aprender.

Voce deveria vir para os Estados Unidos e fazer a nossas ruas mais bonitas.
Sim, eu quero ir para o EUA para produzir algo, mas eu não acho que a minha arte deixa a rua mais bonita ou menos bonita. Ela é uma intervenção que altera o espaço e propõe um novo olhar e pensamento sobre este. O belo é uma reflexão de cada olhar.

Como que voce mede o seu sucesso como artista? O que importa mais; como voce se sente sobre o seu trabalho ou vendo como os outros reagem?
Eu não costumo medir meu sucesso. Eu faço arte porque eu gosto e acredito que seja útil para o desenvolvimento humano. O conhecimento que a arte gera, todas as experiências de vida que a arte proporciona são muito ricas, para o autor e para o público. O sucesso é o percurso, não o ponto de chegada.Obrigado Emol! Voce pode vir pintar a minha sala?Nós falaremos mais sobre isso no e-mail particular (risos)

Um comentário:

  1. olá!
    visite nosso projeto:

    www.cronicaseborroes.blogspot.com

    abraços!

    ResponderExcluir