Poema na Laboratório de Poéticas

Mais como exercício de criatividade do que com a pretensão de ser poeta, as vezes me arrisco a escrever alguns poemas. Dentre estes, um foi publicado recentemente na 9ª edição da Laboratório de Poéticas,  revista impressa e digital que trata da diversidade cultural na cidade de Diadema e também faz diálogos com "outras margens" no país e exterior.
Abaixo segue a capa da mesma e o poema publicado:


Vida Maria

Gira terra, mundo seco
Vida Maria gira
Menina José, moça Aparecida
Mulher de Lourdes, senhora das Graças
E o tempo passa
A pele de uva passa
Roda viva gigante roda
Leva traços de desenhar futuro
Em goles amargos de angustia.

Lata na cabeça, peso na mente
Soca pilão, planta semente
Nasce o sol, escorre o sal
Espera chuva, espera filho, espera.
Espera, espera, espera.

Esperanças pedem a benção
Pra chegar, pra sair, pra dormir
E sonham.
E no sonho se vão, um a um
Como destino catando feijão
Sobre as vidas secas do desertão.

Vão pintar a sina sem esboço
Numa paleta de cor-agem,
Incertezas e saudades
E as Marias à espera de milagres.

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