Mini Bio
Emol é artista interdisciplinar. Utiliza a errância como processo poético e a recomposição de fragmentos como procedimento criativo. Em suas pinturas e murais, articula lembranças e imaginação para evocar um universo místico e construir uma mitologia própria diante da fratura de vínculos ancestrais. Desenvolve projetos coletivos como extensão de sua poética para promover encontros e narrativas contra hegemônicas. Realizou murais no Instituto Tomie Ohtake e na Pinacoteca de São Bernardo do Campo, e projetos artísticos no Brasil, Chile, Argentina e Austrália.
Bio
Emol é continuidade de gente da roça, imigrante e contadora de causos. É natural de Diadema (SP), a cidade favela dos anos 1970 e 80 em que nasceu e cresceu. Sobrevive e trabalha de forma errante, desde 2009, em moradias ocasionais e temporárias em diferentes cidades brasileiras. Experiências com torcida organizada de futebol, ateliês e barracões de escolas de samba e coletivos de Hip Hop formaram a base de seu aprendizado artístico, somados a diversos cursos livres.
É artista interdisciplinar. Utiliza a errância como processo poético por meio de moradias temporárias e ocasionais, caminhadas sem destino, trânsito experimental entre linguagens e campos de conhecimento e do erro como possibilidade pedagógica. Diante da impossibilidade de desconstruir ou reverter integralmente apagamentos e de reconectar laços com uma tradição da qual foi apartado, adota a recomposição de fragmentos como estratégia simbólica, seja coletando vestígios de experiências, encontros e narrativas para articulá-los em novas configurações de sentido, seja fragmentando heranças e imaginários impostos para reorganizá-los sob uma lógica alinhada às suas vivências. Essa operação está presente em seu próprio nome, criado a partir de fragmentos de seu nome e sobrenome de registro, e em projetos como Deuses Interiores, Cadernos do Erro e Álbum de Família. Um gesto que se aproxima dos fazeres de sua avó e mãe ao criarem colchas de retalhos, transformando as roupas que já não vestiam mais em cobertores e forros para os colchões onde o artista dormiu e sonhou com novas possibilidades. Em suas pinturas, desenhos e murais, articula lembranças e imaginação para evocar um universo místico e construir uma mitologia própria diante da fratura de vínculos ancestrais, legado de um apagamento que interrompeu a transmissão intergeracional de saberes.
Desenvolve projetos coletivos como desdobramentos de sua prática artística, propondo encontros que tensionam narrativas hegemônicas e reúnem diversos agentes para articular presença política, arte e educação. Entre eles estão POVO - Pessoas Organizadas Vencem a Opressão (laboratório aberto de experiências práticas em projetos culturais e educativos) e os projetos realizados em escolas públicas: Vai Dar Certo – Sarau Diverso (saraus multilinguagens com artistas racializades e diverses em gênero e sexualidade), Vai Dar Certo – Sarau Mural (murais contendo poemas e microcontos impressos em papel e colados como lambe-lambe) e Espelhos: Contando nossa história (pinturas murais realizadas por artistas racializades, propondo um pensamento visual crítico às narrativas coloniais). Produziu pinturas murais em instituições e espaços urbanos como Instituto Tomie Ohtake (mural permanente desde 2019), Pinacoteca de São Bernardo do Campo (mural permanente desde 2012), rede SESC e LabUrbe. Participou de exposições em São Paulo, Brasília, Los Angeles (EUA) e Melbourne (AUS), e realizou intervenções urbanas no Brasil, Chile e Argentina. Realizou residências artísticas independentes em espaços não convencionais de arte, em parceria com comunidades em contextos de resistência.